quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Nossa senhora de Lourdes

Nossa Senhora de Lourdes é o nome dado à aparição de Maria na cidade de Lourdes, na França, com início dia 11 de fevereiro de 1858, vista por uma camponesa de 14 anos que dizia ter visto uma “dama” na capela de Massabielle. Essa “dama” apareceu à camponesa até seus 17 anos.
Em 11 de Fevereiro de 1858, a camponesa foi com a irmã e uma amiga para recolher um pouco de lenha, a fim de vendê-la e poder comprar pão. Quando ela tirou os sapatos e as meias para atravessar a água, junto à gruta de Massabielle, ela ouviu o som de duas rajadas de vento, mas as árvores e arbustos não se mexeram. A camponesa viu uma luz na gruta e uma menina, tão pequena como ela, vestida de branco, com uma faixa-azul presa em sua cintura com um rosário em suas mãos em oração e rosas de ouro amarelo, uma em cada pé. A camponesa tentou manter isso em segredo, mas sua irmã disse à mãe. Por essa razão ela e sua irmã receberam castigo corporal pela sua história. Três dias depois, a camponesa voltou à gruta com as outras duas meninas. Ela trouxe água benta para utilizar na aparição, a fim de testá-la e saber se não "era maligna", porém a visão apenas inclinou a cabeça com gratidão, quando a água foi dada a ela.
Em 18 de fevereiro, ela foi informada pela senhora para retornar à gruta, durante um período de duas semanas. Após a notícia se espalhar, as autoridades policiais e municipais começaram a ter interesse. A camponesa foi proibida pelos pais e o comissário de polícia para ir lá novamente, mas ela foi assim mesmo. No dia 24 de Fevereiro, a aparição pediu oração e penitência pela conversão dos pecadores. No dia seguinte, a aparição convidou a camponesa a cavar no chão e beber a água da nascente que encontrou lá. Como a notícia se espalhou, essa água, foi administrada em pacientes de todos os tipos, e muitas curas milagrosas foram noticiadas. Sete dessas curas foram confirmados como desprovidas de qualquer explicação médica pelo professor Verges, em 1860. A primeira pessoa com um milagre certificado era uma mulher, cuja mão direita tinha sido deformada em conseqüência de um acidente. O governo interditou a gruta e emitiu sanções mais duras para alguém que tentasse chegar perto da área fora dos limites. No processo, as aparições de Lourdes tornaram-se uma questão nacional na França. A camponesa, conhecendo bem as localidades, conseguiu visitar a gruta à noite mesma quando proibida pelo governo. Lá, em 25 de março, a aparição lhe disse: "Eu sou a Imaculada Conceição". Em 16 de Julho, a camponesa foi a última vez à gruta e relatou: "Eu nunca a tinha visto tão bonita antes".
Ao todo foram 18 Aparições da Virgem à camponesa e em 18 de Janeiro de 1860, o bispo local, declarou que: "A Virgem Maria apareceu de fato à camponesa, Bernadette Soubirous". Estes eventos estabeleceran o culto mariano de Lourdes, que, juntamente com Fátima, é um dos santuários marianos mais freqüentados no mundo, ao qual viajam anualmente entre 4 e 6 milhões de peregrinos.
Nossa Senhora de Lurdes é considerada a padroeira dos enfermos do qual os milagres ninguém duvida.
Nossa Senhora de Lurder, rogai por nós!!!!
(Moacir Ferreira Filho)

Surdos e Mudos

Surdo-mudo é, provavelmente, a mais antiga e incorreta denominação atribuída ao surdo, e ainda utilizada em certas áreas e divulgada nos meios de comunicação, principalmente televisão, jornais e rádio.
O fato de uma pessoa ser surda não significa que ela seja muda. A mudez é uma outra deficiência, sem conexão com a surdez. São minorias os surdos que também são mudos. Fato é a total possibilidade de um surdo falar, através de exercícios fonoaudiológicos, aos quais chamamos de surdos oralizados. Também é possível um surdo nunca ter falado, sem que seja mudo, mas apenas por falta de exercício.
Por esta razão, o surdo só será também mudo se, e somente se, for constatada clinicamente deficiência na sua oralização, impedindo-o de emitir sons.
Portanto, o termo surdo-mudo tem sido encarado pela cultura surda como um erro social dado ao fato de que o surdo viveria num "silêncio" rotulado pela própria sociedade (por falta de conhecimento do real significado das duas palavras).
Problema de audição, problema de fala
Os problemas de audição que ocorrem a partir do nascimento podem ser detectados desde cedo. Se corrigidos em tempo, podem dar à criança a oportunidade de falar. Caso o problema perdure sem tratamento ou intervenção, a criança demorará mais a adquirir a fala, mas ainda sim poderá fazê-lo com ajuda de profissionais de fonoaudiologia.A mudez se verifica na maioria dos casos em decorrência à surdez não tratada ou total, desde os primeiros anos de vida. Quando a surdez acontece por trauma ou acidente ou quando se verifica uma surdez temporária, em que a fala já se desenvolveu, esta última não será afetada. Pessoas que não sofrem de surdez, diante de um acontecimento emocionalmente traumático, podem ficar mudas, em geral temporariamente, para depois voltarem a falar como antes. Há casos de pessoas que tiveram derrame ou traumatismo craniano e têm dificuldade na comunicação em falar ou ler.
Muitas vezes descriminamos um surdo ou um mudo pelo fato dele não poder falar ou escutar, mas na verdade, eles falam e escutam muito melhor que os que escutam e falam, pois eles escutam com os olhos, e falam através de sinais, com as mãos, mas isso não é apenas falar e escutar, é um dom confiado por Deus a algumas pessoas.

O que realmente foi a Inquisição?


Em primeiro lugar, para compreender o que realmente foi a inquisição, é preciso analisá-la a partir do seu contexto religioso, político, histórico, e social da época. A Igreja Católica foi a grande responsável por manter a ordem e a paz numa época em que Roma era massacrada pelas invasões bárbaras. Se não fosse pela Igreja Católica, talvez não tivéssemos a sociedade atual, organizada e preocupada com o bem estar do próximo. Aos poucos a Igreja foi conquistando o povo e impérios se convertiam totalmente ao catolicismo, sobretudo os bárbaros (visigodos, ostrogodos, lombardos, francos e outros). Durante mil anos, o mundo conhecia apenas como única religião oficial a Igreja Católica, tudo era baseado e regido pelo calendário da Igreja.
Para o homem medieval, o importante era “levar o evangelho a todas as criaturas” (Mt 28,19-20). O crime religioso era visto como um crime de “lesa majestade” (crime contra a coroa), cuja pena era paga com a morte pelo estado. Reis e soberanos consideravam a religião católica, a única verdadeira e divina, um bem social muito mais valioso que os bens deste mundo. Era preferível perder a vida a ter que cometer algum pecado que desagradasse a Deus. Neste contexto religioso, em que estado e Igreja trabalhavam juntos para manter a ordem pública, quando surgia alguma heresia que ameaçava a paz e a ordem, os imperadores, juntamente com os bispos, convocavam Concílios para tratar do assunto.
É difícil para nós, nos dias de hoje, imaginarmos como a sociedade aceitava e até incentivava a pena de morte para quem cometesse alguma heresia, mas se voltássemos para aquela época veríamos que era algo comum, não constituía escândalo para ninguém. Só para se ter ideia da mentalidade da época, o grande são Tomás de Aquino escreveu, no século XIII: “É muito mais grave corromper a fé, que é a vida da alma, do que falsificar a moeda, que é um meio de prover à vida temporal. Se, pois, os falsificadores de moedas e outros malfeitores são, a bom direito, condenados à morte, pelos príncipes seculares, com muito mais razão os hereges, desde que seja comprovados tais, podem não somente ser excomungados, mas também em toda justiça ser condenados à morte” (Suma Teológica II/II 11,3c). Repare que um Santo pensava dessa maneira, numa época em que todos tinham isso como um costume para o bem geral.
Durante 12 séculos a Igreja só aplicava penas espirituais como, por exemplo, a excomunhão, e nunca permitia que o estado executasse alguma pena capital (de morte) em questões religiosas. Porém, foi um período que houve graves heresias como o arianismo, priscilianismo, donatismo, maniqueísmo, dentre outras, que a Igreja combateu pela oração e pela fé, reunindo diversos concílios para que estas ideias não se perpetuassem no meio cristão, mas jamais permitia o uso da força para combatê-las.
Acontece que no século XIII surgiu uma heresia terrível chamada de catarismo (katharós, puro em grego) ou albigense, esta heresia foi criada por alguns cristãos fanáticos que se diziam puros, e dessa maneira queriam uma Igreja apenas de pessoas “puras”. Em suas pregações arrastaram multidões, pois viviam na pobreza e pregavam ser aqueles que conduziriam a Igreja à salvação, fazendo-a voltar à pureza dos apóstolos. Estes grupos de cristãos fervorosos se separaram da Igreja e começaram a interpretar erroneamente a bíblia indo totalmente em desacordo com a Igreja. Muitos seguidores da heresia como Pedro Valdo vendeu todos os bens, separou-se da mulher e começou a pregar como se fosse São João batista. Atacava os ensinamentos da Igreja e a riqueza do clero. Valdo e seu seguidor Pedro de Bruys pregavam que todo fiel é depositário do Espírito Santo e livre para interpretar a bíblia (com certeza isso foi um antecedente do protestantismo com Lutero três séculos mais tarde). Para os cátaros, Deus estava em tudo, e até mesmo os animais, como os ratos, eram considerados tão divinos como os homens (panteísmo); negavam a existência do purgatório e do inferno, pois diziam que satanás também era emanação de Deus; Negavam também a transubstanciação do pão e do vinho, o batismo das crianças, o valor das orações aos santos, da Igreja, das imagens e da cruz. Isso constituía uma negação total do cristianismo. O ódio contra a Igreja católica era o ponto alto da nova heresia de tal forma que em 1124, numa sexta feira santa, Bruys assou carne numa fogueira feita de cruzes de madeira. Isso suscitou a revolta de muitos cristãos fiéis à Igreja, que, sem a permissão, mataram Bruys e o queimaram na fogueira.
O grande historiador Daniel Rops narra que os cátaros proibiam o casamento e tudo que fosse carnal. Jesus seria apenas um mensageiro de Deus, mas não era Deus; os homens deveriam renunciar à carne, à terra e à vida; desejavam a morte, alguns praticavam o “suicídio sagrado” (endura). “A endura vitimou mais cátaros que toda a atividade da inquisição” (W. Neuss, Apud Bernard J., p 12). O professor Bernard, em seu livro A inquisição-História da Igreja, vol 3, pg 110, cita um historiador protestante de nome Henri Charles Lea que diz: “Se o catarismo se tornasse dominante, ou pelo menos igual ao catolicismo, não há dúvida de que sua influência teria sido desastrosa”. Repare que até mesmo um protestante protege a Igreja em seu combate contra os cátaros.
Com toda a heresia que estava penetrando na Igreja, surgiram grupos de cristãos que combateram os cátaros com a morte, durante 2 séculos, sem o apoio da Igreja. O povo e a autoridade civil se encarregavam de eliminar todo traço de heresia com a morte na forca ou no fogo. Tudo isso sem a permissão legal da Igreja. Acontece que com o passar do tempo, os imperadores começaram a usar do seu poder para matar inimigos antigos e servir a seus propósitos pessoais e não para combater as heresias, dessa forma, para evitar uma carnificina, no ano de 1231, com o papa Gregório IX, foi instituída a Inquisição Católica, que constituiu um avanço para a época, pois antes do tribunal da Santa Inquisição, os hereges eram condenados sem antes passar por um julgamento, e dessa forma muitos inocentes poderiam ser condenados a morte. Com a Inquisição, muitos foram salvos. Ao contrário do que aprendemos no colégio ou mesmo nas universidades, a inquisição não foi algo que o povo rejeitasse, ao contrário, o povo a apoiava e a desejava.
Ser julgado pela inquisição não era sinônimo de morte como muitos afirmam, era um tribunal que buscava a justiça, tanto é verdade que muitos apelavam para serem julgados pelo tribunal da inquisição como, por exemplo, os templários.
A inquisição não veio para matar, mas sim para dar um julgamento justo àqueles acusados de heresia. Enquanto todo crime de heresia quando julgado pelo estado era punido com a morte, os julgados pela Inquisição tinham a chance de se arrepender, se confessar e escapar da morte. Isso constituiu um avanço para a época.
Neste trecho aprendemos os antecedentes da Inquisição. Na próxima edição de “O Mensageiro” aprenderemos o que realmente foi a inquisição, pois não seria possível explicar o assunto sem antes mostrar em qual contexto nasceu este tribunal tão atacado por aqueles que não a conheceram realmente.
(Clécio Francisco Gonçalves)

Dra Zilda Arns tem seu nome inscrito no livro da vida


Na extraordinária cobertura dada por todos os meios de comunicação à tragédia que abala o Haiti, um nome volta com destaque: Dra. Zilda Arns. Isso mostra que ao longo dos seus 23 anos dedicados à Pastoral da Criança e a outras atividades complementares na linha de uma nova concepção preventiva em termos de vida saudável, ela se transformou numa unanimidade em todos os ambientes e em todas as classes sociais. Portadora de inúmeros títulos e moções de honra, apesar de três indicações, não recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Mas nesta altura pouco importa: já tem seu nome inscrito para sempre no Livro da Vida.
O que nem todos os meios de comunicação social e autoridades colocaram em evidência é que a Dra. Zilda não assumiu a Pastoral da Criança por iniciativa própria. Através do seu irmão, por muitas décadas uma figura de proa da Igreja e da sociedade brasileira, ela foi convencida a aceitar como missão que a Igreja do Brasil (CNBB) lhe confiava: criar uma linha de ação pastoral que atingisse a raiz dos problemas que se escondiam por trás dos altíssimos índices de imortalidade infantil, uma das vergonhas do Brasil.
Com preparo profissional e pedagogia invejáveis, auxiliada por assessores de diversas áreas afins, ela conseguiu articular um plano de ação simplesmente admirável. Inspirada na fé que recebeu do berço, soube, como poucos, desentranhar as dimensões políticas e sociais da fé. Sem receio de juntar forças, mesmo provindas de outras crenças ou outras concepções antropológicas e políticas, foi armando uma verdadeira rede que ao longo dos anos faz sentir sua presença em cerca de 3.500 municípios do Brasil, com o acompanhamento de aproximadamente 80 mil gestantes e atingindo 2 milhões de crianças.
Mas, levada por um verdadeiro ardor missionário, sentiu-se chamada a ultrapassar todas as barreiras e fronteiras, ajudando a implantar essa ação revolucionária em cerca de 20 países, sobretudo da América Latina e da África, privilegiando países e regiões mais pobres. Lógico que a ação visava acompanhar a evolução das crianças, literalmente desde a concepção no seio materno até a idade dos 6 anos.
Convencida de que embora se deva saciar os famintos, deixava claro que o assistencialismo não resolve os problemas da miséria e da pobreza. Essas só serão superadas através de um trabalho mais sistemático, mais participativo, mais globalizante, partindo da raiz dos problemas e abrangendo todas as dimensões do humano.
Nunca escondeu que, ao lado da nutrição, noções básicas de higiene e cidadania, privilegiava uma espiritualidade capaz de sustentar um ação eficaz, levada adiante por um numeroso voluntariado. Seriam 260 mil esses agentes, devidamente preparados e monitorados sob os mais diversos aspectos, para poderem entender as reais causas da mortalidade infantil e desenvolver uma ação eficaz. E os milagres vão acontecendo em toda parte. Onde a Pastoral da Criança funciona, os índices de mortalidade infantil caem vertiginosamente.
Bastam o preparo dos agentes, seu entusiasmo contagiando as mães e familiares, bem como toda a comunidade; medidas básicas de higiene; um espaço qualquer para as reuniões; nos casos de crianças mais frágeis, o denominado leite forte, com ingredientes de custo praticamente zero, mas de uma eficácia invejável.
Sem dúvida aqui cabe uma comparação ilustrativa. O que Paulo Freire representa em termos de concepção educacional, a Dra. Zilda Arns representa em termos de uma nova concepção de saúde. Por mais importante que continue sendo a ação de médicos e profissionais afins, a grande intuição da Dra. Zilda é a de que o principal agente de saúde física, psíquica e espiritual encontra-se exatamente onde se encontra a origem da vida: a família, e particularmente as mães.
Por mais que se deva lutar contra a fome, a pobreza e a miséria, a construção de uma nova sociedade tem que privilegiar o "berço". Esse "berço" nada tem a ver com nobreza, mas com a certeza que vem do presépio de Belém. Na expressão da verdadeira "mãe das crianças pobres" ... "como pássaros que cuidam de seus filhos.... longe de predadores... e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado... e protegê-los".
Essa mensagem que se encontra no texto final da palestra que ela estava proferindo, ao que parece dentro de uma igreja que ruiu sobre ela e muitos dos participantes, certamente não agrada a todos. Sobretudo irá desagradar aos que em pleno século XXI levantam outra bandeira, mais parecida com aquela que devia tremular no alto das torres do palácio de Herodes. Nem por isso essas palavras deixam de ser proféticas. Compreensiva dos dramas humanos, pela inspiração do Evangelho, a Dra. Zilda deixou um grande farol aceso, capaz de revelar o verdadeiro rosto e os verdadeiros interesses dos herodianos, e sobretudo capaz iluminar a todos os apóstolos da vida.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Jornal de Janeiro




mais um ano e graças a Deus também mais um Jornal


Um Feliz 2010 a Todos